hoje eu sofri...
como um adolescente, sem saber o que fazer, ao se deparar com o amor a frente...
sofri, porque sabia o que fazer, mas nao o fiz...
nao sabia falar...
nao sabia expressar em nenhuma língua, só em portugues...
e meus olhos se enxeram de lágrimas...
mas nao cairam.
talvez eu entenda. talvez eu ache que sou louco, realmente.
de novo, já sabes, a mesma coisa.
pedro ja cansou.
ja cansou de saber e nao mudar.
digo a mim: nao era o seu amor.
digo a mim: a carencia era maior.
digo a mim: quero repartir o inverno contigo.
nao disse. pensei.
tenho todo o cheiro de perfume e lubrificante em minhas maos.
nao quero.
deixei para trás uma meia.
como cinderela.
nao me procuraras. nao te procurarei.
isso machucou a ele. isso machucou a mim.
nao sei...
ele nao sabe...
mais um choque...
pq é tao ruim?
pq me machuca tanto?
pq nao sei como lidar?
em que feridas abertas essa mosca pousa?
em que podridao esqueci-me?
pq nao busquei-me e refiz-me?
poderia ter sido diferente...
mas nao foi...
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
quarta-feira, 12 de maio de 2010
periferiacentroperiferia
Os periféricos não necessitam da aprovação dos centros.
Todas as cópias feitas dos movimentos surgidos nos grandes centros se transformaram em outra coisa: nem o que era, nem o que foi.
O trânsito entre centro e periferia e a falta de recursos para investir em produtos periféricos fizeram com que a criação fosse subestimada.
Defendo que hoje o que vem da periferia é que é o novo. Velho jaz centro. Novo som periférico.
A cópia jamais será cópia e muito menos o original. É uma outra coisa, é outra criação... mas se denominarmos tudo com outros nomes, serão nome infinitos, para infinitas qualidades criativas que se materializam enquanto produto, arte, conceito.
Cansados de estarem à margem, agora fazem da margem, o centro. E do centro, fazem o centro de margem. Um movimento contrário? Não. Acredito que seja um movimento à favor. À favor de todas/os que se cansaram de esperar. Deixem Gigi e Gogo a esperrar Godot. Eles sim, eternizados na angústia da espera, podem ter esse papel. E pronto! Eles bastam.
A política da revolução já é. Agora, presente, nem tão sorridente assim, mas com efeitos que superam o controle e a censura das mídias, da indústria do entretenimento, dos grandes centros de estudos. Fogem porque não precisam deles para existirem.
Angústia, fome, solidão, abjeção transformada em criação, em música, dança, intervenção.
Talvez sejamos punks demais: em atitude. Se somos escravos e senhores na escrita e da linguagem, sejamos nela e por ela, contaminados pelo que interessa. O que interessa é fazer-me ouvir por mim e distribuir as tantas vozes que ouvi e ouço a tantos tempos.
Sair da condição de vítima e passar a ser o autor de si, ao mesmo tempo que posso reconhecer o limite das palavras e das condições culturais expostas e que me afetam diretamente, é o trabalho que se é realizado dentro da linguagem para, talvez, encontrar um caminho fora dela. Se for possível, ele existirá.
Mas, são pelos caminhos que se constroem momentos. Não é possível, ainda, ter a certeza da marginalidade radical da linguagem. Sair dela, pleitear (no sentido de fazer por conseguir e questionar em juízo), é fato?
Para tudo, é preciso reconhecer. O reconhecimento livra-me da carga e do pesado fardo de dar respostas prontas para questões ainda não conhecidas. É um questionamento, talvez mais um dos milhares, sem respostas óbvias.
Talvez circularmente pudesse responder, mas não verticalmente nem horizontalmente.
A necessidade de responder uma questão é que leva a muitos pesquisadores a debruçarem suas valiosas vidas a atingir uma satisfatória pergunta. Ao meu intento e ao meu gosto, admiro coisas que passeiam de mãos dadas com a vida, o cotidiano, as várias histórias invisíveis...
E, sendo invisíveis, algo os transformam em vidas com essa característica. Uma tecnologia de pensamento (ouço Foucault enquanto ouço Dead Things de Philip Glass). Mas, se essa tecnologia os querem assim, é porque algo há de não submisso, de não inferior, de não valor. Pois, se se criam tantos aparatos para esconderem, matarem, reprimirem os invisíveis, talvez seja porque eles procurem olhar além das perguntas e respostas. Talvez eles criem, e criar é ser! Criar é como parir: algo sai de mim, que já não é e nem nunca foi, cópia. É criar com o que tem, com as condições envoltas, com a dança de Shiva ativa (destruir para construir): mexer, brincar, vasculhar, perceber curiosamente, estar atento. E de tantos verbos, e de tantos outros mais, nascem produtos, nascem seduções. Produto não é tudo que vai ser consumido pela mercado vigente (capitalista, neo-liberal, globalizado, moedas de troca...), mas produto enquanto algo que existe. Existe, criado, sem valores conjugados. E, o preço de uma idéia não existe. Estipulam, fazem leilões, mas concreto, não há. Idéias encontram espaços além dos preços, além dos muros, além dos centros. E que assim seja, uma reza, uma oração, um expurgo. Uma febre cáustica por ser idéia e que não pára.
Pare! Eu não sou uma diva, eu sou uma puta!
Quem se enganou levante a mão.
Vestida de diva para ganhar o sexo que vai satisfazer a puta que em mim há.
Isso é interpelação: levantar a mão vem carregada de um SIM. Um gesto também pode representar o que Geertz desenvolve no encontro entre cultura e semiótica: todo gesto, em cada cultura específica, tem um significado. Nada é à toa. Ou é?
Embora ele possa ter sido enganado pelos nativos, que descobriu o jogo dele antes dele perceber o jogo dos nativos (e que até hoje não percebeu ou não assumiu), ele mesmo assim criou a teoria dele. Talvez não existisse significado nenhum. Talvez fosse algo inventado na hora e, como um tique para enganar quem quer me entender, ganhou uma grande representação explicativa como o mundo daquelas pessoas funcionavam. Lévi-Strauss que o diga, e disse sim: os Nambiquara queriam o poder dele: a escrita. Começou um processo de letrismo. Eles não queriam ser mais iletrados. E não porque catequizaram eles, mas porque eles perceberam, através da maldade em seus corações (que eles podem denominar como o jeito de ser e que possui seu valor positivo), que a caneta e o caderninho compunha um valor intrínseco de poder, de diferenciação e de comando. Saber algo que eu não sei é poder. É abrir as portas para a negociação. É dizer que existe uma proposta de afinidade. E de querer ser o que o outro é, só que do meu jeito. Ser o outro como sou é revolucionário.
É não perder o que tenho e, a partir de mim, é ter mais: o meu e o do outro. Conhecer nunca é pouco e nunca é demais. Jamais serei Judith Butler, mas sendo mais próximo de Nízia Floresta me contento com a tradução cultural que posso fazer da Butler e de suas teorias, numa infidelidade criativa que me surpreende e cria algo novo.
Talvez ser infiel seja uma marca forte para ser explorada com mais afinco. E dela, da infidelidade, as representações passem por um filtro vulgar, hipotético, e que me satisfaz. Porque aprendi a vivenciar com coisas ditas que eram ruins, feias, de baixo valor. Mas, desse ponto posso falar e compensar: se não gostou, me engole! O que seria de mim sem o funk carioca, formulado e criado tantas vezes quão é o número de músicas existentes. As letras do funk carioca quebram tabus e não instauram outros. Quando você pensa que há uma nova normatividade se instaurando, lá vem o funk e diz que já existem outros momentos e que a experimentação já foi além da marcação.
É como um criar pelo que vivo. Reproduzir sim: machismos, antagonismos, ilegalidades... mas tudo é um ponto de vista: depende de quem fala e de quem ouve. Pode ser lei também mas acredito que pouco funciona. O que é a coerção da lei perante a força do desejo?
A lei escapa das bocas, como a certeza fiel e absoluta de uma sociedade perfeita e democrática. Mas a vida, principalmente nas periferias, tem outras flexibilidades, outras concordâncias, outras impostações de voz e de estruturas corporais.
Eu baixo a cabeça e ouço o que os senhores do poder dizem. Mas é baixando a cabeça que posso olhar para a aparelhagem onde vou tocar e criar as batidas. E, a partir daí, mudar o olhar. É uma guerrilha que fervilhou filosófica na ditadura e que continua filosófica atualmente. Ser direto ou indireto é a mesma coisa, a diferença é que uns entendem porque vivem e outros só porque lêem. Os riscos são diferentes mas a mudança que causa é a mesma. Atitude política ou aceitação da frustração são revolucionários. Um porque vai e faz e grita e esperneia e se usa de armas intelectuais ou quaisquer outras para tal. E a outra é porque não cumpre com o dever social de cidadão para fazer uma nação feliz e mais forte. Não posso fazer uma nação mais forte se ela é a primeira a me fragilizar. Então, minha nação eu reconheço no meu irmão, nos que me valorizam e me estimulam e me reconhecem enquanto sujeito. Talvez o preço disso seja uma morte aos vinte anos, uma doença incurável aos quinze, uma prisão aos dezenove. Ou talvez seja a passagem para ter dinheiro, para construir com o mesmo discurso, o discurso de valorização de reconhecimento expandido além: a outros mundos denominados países.
Todas as cópias feitas dos movimentos surgidos nos grandes centros se transformaram em outra coisa: nem o que era, nem o que foi.
O trânsito entre centro e periferia e a falta de recursos para investir em produtos periféricos fizeram com que a criação fosse subestimada.
Defendo que hoje o que vem da periferia é que é o novo. Velho jaz centro. Novo som periférico.
A cópia jamais será cópia e muito menos o original. É uma outra coisa, é outra criação... mas se denominarmos tudo com outros nomes, serão nome infinitos, para infinitas qualidades criativas que se materializam enquanto produto, arte, conceito.
Cansados de estarem à margem, agora fazem da margem, o centro. E do centro, fazem o centro de margem. Um movimento contrário? Não. Acredito que seja um movimento à favor. À favor de todas/os que se cansaram de esperar. Deixem Gigi e Gogo a esperrar Godot. Eles sim, eternizados na angústia da espera, podem ter esse papel. E pronto! Eles bastam.
A política da revolução já é. Agora, presente, nem tão sorridente assim, mas com efeitos que superam o controle e a censura das mídias, da indústria do entretenimento, dos grandes centros de estudos. Fogem porque não precisam deles para existirem.
Angústia, fome, solidão, abjeção transformada em criação, em música, dança, intervenção.
Talvez sejamos punks demais: em atitude. Se somos escravos e senhores na escrita e da linguagem, sejamos nela e por ela, contaminados pelo que interessa. O que interessa é fazer-me ouvir por mim e distribuir as tantas vozes que ouvi e ouço a tantos tempos.
Sair da condição de vítima e passar a ser o autor de si, ao mesmo tempo que posso reconhecer o limite das palavras e das condições culturais expostas e que me afetam diretamente, é o trabalho que se é realizado dentro da linguagem para, talvez, encontrar um caminho fora dela. Se for possível, ele existirá.
Mas, são pelos caminhos que se constroem momentos. Não é possível, ainda, ter a certeza da marginalidade radical da linguagem. Sair dela, pleitear (no sentido de fazer por conseguir e questionar em juízo), é fato?
Para tudo, é preciso reconhecer. O reconhecimento livra-me da carga e do pesado fardo de dar respostas prontas para questões ainda não conhecidas. É um questionamento, talvez mais um dos milhares, sem respostas óbvias.
Talvez circularmente pudesse responder, mas não verticalmente nem horizontalmente.
A necessidade de responder uma questão é que leva a muitos pesquisadores a debruçarem suas valiosas vidas a atingir uma satisfatória pergunta. Ao meu intento e ao meu gosto, admiro coisas que passeiam de mãos dadas com a vida, o cotidiano, as várias histórias invisíveis...
E, sendo invisíveis, algo os transformam em vidas com essa característica. Uma tecnologia de pensamento (ouço Foucault enquanto ouço Dead Things de Philip Glass). Mas, se essa tecnologia os querem assim, é porque algo há de não submisso, de não inferior, de não valor. Pois, se se criam tantos aparatos para esconderem, matarem, reprimirem os invisíveis, talvez seja porque eles procurem olhar além das perguntas e respostas. Talvez eles criem, e criar é ser! Criar é como parir: algo sai de mim, que já não é e nem nunca foi, cópia. É criar com o que tem, com as condições envoltas, com a dança de Shiva ativa (destruir para construir): mexer, brincar, vasculhar, perceber curiosamente, estar atento. E de tantos verbos, e de tantos outros mais, nascem produtos, nascem seduções. Produto não é tudo que vai ser consumido pela mercado vigente (capitalista, neo-liberal, globalizado, moedas de troca...), mas produto enquanto algo que existe. Existe, criado, sem valores conjugados. E, o preço de uma idéia não existe. Estipulam, fazem leilões, mas concreto, não há. Idéias encontram espaços além dos preços, além dos muros, além dos centros. E que assim seja, uma reza, uma oração, um expurgo. Uma febre cáustica por ser idéia e que não pára.
Pare! Eu não sou uma diva, eu sou uma puta!
Quem se enganou levante a mão.
Vestida de diva para ganhar o sexo que vai satisfazer a puta que em mim há.
Isso é interpelação: levantar a mão vem carregada de um SIM. Um gesto também pode representar o que Geertz desenvolve no encontro entre cultura e semiótica: todo gesto, em cada cultura específica, tem um significado. Nada é à toa. Ou é?
Embora ele possa ter sido enganado pelos nativos, que descobriu o jogo dele antes dele perceber o jogo dos nativos (e que até hoje não percebeu ou não assumiu), ele mesmo assim criou a teoria dele. Talvez não existisse significado nenhum. Talvez fosse algo inventado na hora e, como um tique para enganar quem quer me entender, ganhou uma grande representação explicativa como o mundo daquelas pessoas funcionavam. Lévi-Strauss que o diga, e disse sim: os Nambiquara queriam o poder dele: a escrita. Começou um processo de letrismo. Eles não queriam ser mais iletrados. E não porque catequizaram eles, mas porque eles perceberam, através da maldade em seus corações (que eles podem denominar como o jeito de ser e que possui seu valor positivo), que a caneta e o caderninho compunha um valor intrínseco de poder, de diferenciação e de comando. Saber algo que eu não sei é poder. É abrir as portas para a negociação. É dizer que existe uma proposta de afinidade. E de querer ser o que o outro é, só que do meu jeito. Ser o outro como sou é revolucionário.
É não perder o que tenho e, a partir de mim, é ter mais: o meu e o do outro. Conhecer nunca é pouco e nunca é demais. Jamais serei Judith Butler, mas sendo mais próximo de Nízia Floresta me contento com a tradução cultural que posso fazer da Butler e de suas teorias, numa infidelidade criativa que me surpreende e cria algo novo.
Talvez ser infiel seja uma marca forte para ser explorada com mais afinco. E dela, da infidelidade, as representações passem por um filtro vulgar, hipotético, e que me satisfaz. Porque aprendi a vivenciar com coisas ditas que eram ruins, feias, de baixo valor. Mas, desse ponto posso falar e compensar: se não gostou, me engole! O que seria de mim sem o funk carioca, formulado e criado tantas vezes quão é o número de músicas existentes. As letras do funk carioca quebram tabus e não instauram outros. Quando você pensa que há uma nova normatividade se instaurando, lá vem o funk e diz que já existem outros momentos e que a experimentação já foi além da marcação.
É como um criar pelo que vivo. Reproduzir sim: machismos, antagonismos, ilegalidades... mas tudo é um ponto de vista: depende de quem fala e de quem ouve. Pode ser lei também mas acredito que pouco funciona. O que é a coerção da lei perante a força do desejo?
A lei escapa das bocas, como a certeza fiel e absoluta de uma sociedade perfeita e democrática. Mas a vida, principalmente nas periferias, tem outras flexibilidades, outras concordâncias, outras impostações de voz e de estruturas corporais.
Eu baixo a cabeça e ouço o que os senhores do poder dizem. Mas é baixando a cabeça que posso olhar para a aparelhagem onde vou tocar e criar as batidas. E, a partir daí, mudar o olhar. É uma guerrilha que fervilhou filosófica na ditadura e que continua filosófica atualmente. Ser direto ou indireto é a mesma coisa, a diferença é que uns entendem porque vivem e outros só porque lêem. Os riscos são diferentes mas a mudança que causa é a mesma. Atitude política ou aceitação da frustração são revolucionários. Um porque vai e faz e grita e esperneia e se usa de armas intelectuais ou quaisquer outras para tal. E a outra é porque não cumpre com o dever social de cidadão para fazer uma nação feliz e mais forte. Não posso fazer uma nação mais forte se ela é a primeira a me fragilizar. Então, minha nação eu reconheço no meu irmão, nos que me valorizam e me estimulam e me reconhecem enquanto sujeito. Talvez o preço disso seja uma morte aos vinte anos, uma doença incurável aos quinze, uma prisão aos dezenove. Ou talvez seja a passagem para ter dinheiro, para construir com o mesmo discurso, o discurso de valorização de reconhecimento expandido além: a outros mundos denominados países.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
à uma amiga.
o kinsey conheço muito bem.
já vi várias vezes!!!!!
o freud inseriu os estudos psicaliticos sobre sexualidade humana na sociedade ocidental, kinsey fez suas pesquisas maravilhosas e foucault aprofundou as questões da história da sexualidade, suas interdições e aberturas, a influência da cultura greco-romana e católica etc.
é um trio de livros ótimos pra ler: a história da sexualidade (1, 2 e 3) de michel foucault.
deixa tão claro tantas coisas...
ele mesmo era gay, sadomasoquista e morreu por causa do hiv.
após esses estudos e movimentos (gays, lésbicos, negros, hippie, punk etc) surge a teoria/movimento queer, conectados à uma puta revisão sobre a sexualidade-gênero-sexo, suas performances e performatividades, indo além do binarismo homem x mulher, hetero x homo, natureza x cultura, natural x artificial, conectados ao lado mais anarquista dos grupos, mas sem perder a valência (valor questionador) de ser negro, gay, lésbica, travesti, trans e tantxs.
é tanto, que quando falamos de pessoas, não usamos mais o ELE ou ELA, usamos ELX.
o X representa possibilidades, assim como na matemática.
vc não É ele ou ela, mas ESTÁ ele ou ela ou outrx.
por isso a drag queen é uma figura crucial na revelação da falsidade das performances de gênero.
ser homem ou mulher, a drag diz com sua performance, é uma construção sócio-histórica, que posso muito bem, e sei como fazer isso perfeitamente, me transformar no que eu quiser.
então, a drag revela a hiper-feminilização do que se construiu e reproduziu e foi aceito como mulher.
por "não ser" mulher, e por desejar “sê-la”, as drags conseguem observar e copiar esse status.
e, nessa transformação, onde o desejo de ser é a arma mais forte, elas revelam que qualquer pessoa pode ser mulher.
a partir daí, procurar a mulher na vagina, no útero e nos seios, pode ser mais esclarecedor e acalmar mais os ânimos e os desesperados por uma certeza.
mas... a galera afinada com o queer, vai dizer que natureza e biologia não definem comportamento.
que tb a "natureza da mulher" é algo que foi construído paralelamente aos conceitos católicos (judaico-cristão) e políticos, justamente para enquadrar "a mulher" num determinado "lugar".
as que se rebelam contra esses lugares, são consideradas "histéricas" (resumindo, freud indica que só as mulheres podem ter histeria, e isso significa adoecer, gritar, ser deficiente, se desesperar pela falta/ausência do falo masculino), loucas, criminosas, "masculinas", lésbicas... e o resultado disso? são passíveis de violência, estupro, morte, desemprego ou sub-empregos etc.
nisso pra não falar nos intersexos (conhecidos antigamente como hermafroditas).
foucault analisa o diário de Herculine, uma hermafrodita de 1900, que viveu com freiras e se suicidou.
hoje, o hospital das clínicas de SP, possui uma área específica para os recém-nascidos intersexos.
vc sabe o que é quando um menino de uns 11 anos tem uma hemorragia interna na área do pênis?
com certeza a pessoa nasceu com vagina e pênis, e o médico juntamente com a família e seus costumes binários costuraram a vagina, esconderam essa "aberração" como quando se mata uma pessoa (e realmente mataram!!!). Mas agora esse corpo, que poderia viver suas várias possibilidades sexuais, reclama esse retorno: "Estou menstruando!! Quero minha vagina de volta!! Agora posso ter filhxs com meu próprio pênis, minha própria vulva, meu próprio útero!! Posso alimentar meus filhxs com meus próprios seios ou com os seios da vaca da minha mãe!!"
Então, o que posso indicar, são as várias mutilações a que as pessoas são condenadas, por não quererem seguir a performance de homem ou mulher, conectados a seu falo ou a sua vulva.
E não falo das pessoas transsexuais, que conseguem a operação de ressignificação de gênero, mudança de RG, acompanhamento médico e psicológico.
Essas também são condenadas.
O movimento queer reinvindica as possibilidades, assim como várias pessoas, artistas, grupos.
Reinvidicam a abertura e possibilidade de sobrevivência das pessoas com seus desejos em trânsitos, mas não se incomodam com o enfrentamento nem cedem às pressões.
Com tantas mortes e violências, como posso ficar calado?
É um pouco disso que está mais claro para mim nesse momento.
Adorei fluir nesse escrito.
já vi várias vezes!!!!!
o freud inseriu os estudos psicaliticos sobre sexualidade humana na sociedade ocidental, kinsey fez suas pesquisas maravilhosas e foucault aprofundou as questões da história da sexualidade, suas interdições e aberturas, a influência da cultura greco-romana e católica etc.
é um trio de livros ótimos pra ler: a história da sexualidade (1, 2 e 3) de michel foucault.
deixa tão claro tantas coisas...
ele mesmo era gay, sadomasoquista e morreu por causa do hiv.
após esses estudos e movimentos (gays, lésbicos, negros, hippie, punk etc) surge a teoria/movimento queer, conectados à uma puta revisão sobre a sexualidade-gênero-sexo, suas performances e performatividades, indo além do binarismo homem x mulher, hetero x homo, natureza x cultura, natural x artificial, conectados ao lado mais anarquista dos grupos, mas sem perder a valência (valor questionador) de ser negro, gay, lésbica, travesti, trans e tantxs.
é tanto, que quando falamos de pessoas, não usamos mais o ELE ou ELA, usamos ELX.
o X representa possibilidades, assim como na matemática.
vc não É ele ou ela, mas ESTÁ ele ou ela ou outrx.
por isso a drag queen é uma figura crucial na revelação da falsidade das performances de gênero.
ser homem ou mulher, a drag diz com sua performance, é uma construção sócio-histórica, que posso muito bem, e sei como fazer isso perfeitamente, me transformar no que eu quiser.
então, a drag revela a hiper-feminilização do que se construiu e reproduziu e foi aceito como mulher.
por "não ser" mulher, e por desejar “sê-la”, as drags conseguem observar e copiar esse status.
e, nessa transformação, onde o desejo de ser é a arma mais forte, elas revelam que qualquer pessoa pode ser mulher.
a partir daí, procurar a mulher na vagina, no útero e nos seios, pode ser mais esclarecedor e acalmar mais os ânimos e os desesperados por uma certeza.
mas... a galera afinada com o queer, vai dizer que natureza e biologia não definem comportamento.
que tb a "natureza da mulher" é algo que foi construído paralelamente aos conceitos católicos (judaico-cristão) e políticos, justamente para enquadrar "a mulher" num determinado "lugar".
as que se rebelam contra esses lugares, são consideradas "histéricas" (resumindo, freud indica que só as mulheres podem ter histeria, e isso significa adoecer, gritar, ser deficiente, se desesperar pela falta/ausência do falo masculino), loucas, criminosas, "masculinas", lésbicas... e o resultado disso? são passíveis de violência, estupro, morte, desemprego ou sub-empregos etc.
nisso pra não falar nos intersexos (conhecidos antigamente como hermafroditas).
foucault analisa o diário de Herculine, uma hermafrodita de 1900, que viveu com freiras e se suicidou.
hoje, o hospital das clínicas de SP, possui uma área específica para os recém-nascidos intersexos.
vc sabe o que é quando um menino de uns 11 anos tem uma hemorragia interna na área do pênis?
com certeza a pessoa nasceu com vagina e pênis, e o médico juntamente com a família e seus costumes binários costuraram a vagina, esconderam essa "aberração" como quando se mata uma pessoa (e realmente mataram!!!). Mas agora esse corpo, que poderia viver suas várias possibilidades sexuais, reclama esse retorno: "Estou menstruando!! Quero minha vagina de volta!! Agora posso ter filhxs com meu próprio pênis, minha própria vulva, meu próprio útero!! Posso alimentar meus filhxs com meus próprios seios ou com os seios da vaca da minha mãe!!"
Então, o que posso indicar, são as várias mutilações a que as pessoas são condenadas, por não quererem seguir a performance de homem ou mulher, conectados a seu falo ou a sua vulva.
E não falo das pessoas transsexuais, que conseguem a operação de ressignificação de gênero, mudança de RG, acompanhamento médico e psicológico.
Essas também são condenadas.
O movimento queer reinvindica as possibilidades, assim como várias pessoas, artistas, grupos.
Reinvidicam a abertura e possibilidade de sobrevivência das pessoas com seus desejos em trânsitos, mas não se incomodam com o enfrentamento nem cedem às pressões.
Com tantas mortes e violências, como posso ficar calado?
É um pouco disso que está mais claro para mim nesse momento.
Adorei fluir nesse escrito.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
vi o seu nome na geladeira
voce me chamou. acordei para caminha na praia. te dei um beijo e voltei. vi o seu nome na geladeira.
by 20-11-08
by 20-11-08
Deusa
O seu riso é estranho; ninguém, ai!, poderia descreve-lo; tira-me a respiraçao, fujo de novo, a cada instante vejo-me obrigado a deter-me para respirar, e o seu riso trocista persegue-me sempre atraves dos sombrios caminhos, na pradaria iluminada, na folhagem onde apenas penetram alguns raios de Lua. Enganei-me no caminho, perco-me cada vez mais, e grossas gotas de suor formam perolas na minha fronte.
A Venus das peles by Leopold Sacher-Masoch
A Venus das peles by Leopold Sacher-Masoch
rua
hoje senti o tempo lento, interno.
corria com o corpo para adequa-lo 'as horas.
tempo para chegar no trabalho. 12:30h.
o tempo de dentro tava calmo, em outro tempo.
uma pulsaçao interna, um correr externo.
fora, pessoas corriam para chegar ao trabalho.
dentro, uma pessoa tranquila, assumida com o seu tempo.
respeitando-se.
corria com o corpo para adequa-lo 'as horas.
tempo para chegar no trabalho. 12:30h.
o tempo de dentro tava calmo, em outro tempo.
uma pulsaçao interna, um correr externo.
fora, pessoas corriam para chegar ao trabalho.
dentro, uma pessoa tranquila, assumida com o seu tempo.
respeitando-se.
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